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MT tem quase 300 pessoas desaparecidas; 96 são crianças ou adolescentes

Para o delegado Rogério Gualda, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em caso de desaparecimento, não é necessário esperar 24 horas para comunicar a polícia.

Cínthya Rocha, TV Centro América

08/03/19 às 18:52 / Atualizada: 08/03/19 às 18:52

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MT tem quase 300 pessoas desaparecidas; 96 são crianças ou adolescentes

Retrato aponta como Flavinho estaria hoje, com 6 anos

Foto: Arquivo Pessoal

Dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) de Mato Grosso apontam que quase 300 pessoas estão desaparecidas no estado.

Nos primeiros 2 meses deste ano foram registrados 297 desparecimentos em Mato Grosso. No ano passado, neste mesmo período, foram 350 casos e em 2017 foram 321 casos.

O que chama a atenção é a quantidade de crianças até 11 anos: foram 22 registros este ano. Foram nove no ano passado e 19 em 2017.

E jovens, de 12 a 17 anos, foram 74 registros este ano. No ano de 2018 foram 125. Já em 2017 foram contabilizados 107 casos.

Para o delegado Rogério Gualda, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em caso de desaparecimento, não é necessário esperar 24 horas para comunicar a polícia.

Ao perceber que a pessoa saiu da rotina e se a família tentou localizá-la de todas as formas e não conseguiu, é só acionar a polícia que tem uma equipe disponível para iniciar a investigação.

Casos mais conhecidos
Entre os casos mais conhecidos está a de Flávio Henrique da Silva, que tinha 3 anos e desapareceu em 2015.

Flavinho desapareceu no dia 18 de janeiro de 2015, no Distrito de União do Norte, em Peixoto de Azevedo, a 692 km da capital. Segundo a mãe de Flavinho, ele brincava no quintal da casa da avó, quando desapareceu.

À época, a família levantou a hipótese de a criança ter sido levada por algum carro que passou, no momento em que ele se aproximou da estrada, mas essa possibilidade não foi provada.

Em 2016, um homem foi preso sob suspeita de ter matado a criança, mas as investigações apontaram que o suspeito não tinha participação no desaparecimento.

Ao longo de mais de um ano do desaparecimento de Flavinho, a Polícia Civil não encontrou nenhuma pista concreta que pudesse desvendar o desaparecimento do menino. Várias buscas foram feitas na região do desaparecimento, inclusive com helicóptero, no entanto, sem sucesso.

Andrelina está desaparecida desde 2011 — Foto: Arquivo pessoal
[Andrelina está desaparecida desde 2011 — Foto: Arquivo pessoal]


A família de Andrelina Lima Marques, que sumiu quando tinha 10 anos, também tenta localizar a menina. Eles moram em Nova Olímpia, a 207 km de Cuiabá. A garota tinha 10 anos quando desapareceu, no dia 11 de outubro de 2011.

Na ocasião, a menina tinha saído de casa para se encontrar com uma amiga da mesma idade, que a convidou para ir a um show infantil que ocorreria no município, justamente em comemoração ao Dia das Crianças. No trajeto da casa dela até a vizinha, a menina desapareceu e nunca mais foi vista.

O desaparecimento do engenheiro agrônomo Éder Tadeu Maciel da Costa, de 29 anos, completa dois anos no dia 5 de maio, sem nenhuma pista do paradeiro dele.

O agrônomo Éder Tadeu Maciel, de 29 anos, desapareceu ao sair para trabalhar — Foto: Arquivo Pessoal
[O agrônomo Éder Tadeu Maciel, de 29 anos, desapareceu ao sair para trabalhar — Foto: Arquivo Pessoal]


Nem a Polícia Civil de Água Boa, a 736 km de Cuiabá, que investiga o caso, nem a família dele têm indícios do que aconteceu com o agrônomo.

Trinta dias antes de desaparecer, Éder tinha se mudado para Água Boa em abril de 2017 para trabalhar. A família ficou em Nova Mutum, a 269 km de Cuiabá.

O último contato da família com Éder foi no dia 4 de maio de 2017. Éder sairia da região e iria até Canarana (a 838 km de Cuiabá), para fazer um trabalho.
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