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Polícia faz operação contra servidores e instrutores do Detran que vendiam CNH

RD News

05/12/18 às 10:23

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Polícia faz operação contra servidores e instrutores do Detran que vendiam CNH

Compradores confessam à Defaz que pagaram de R$ 1 a R$ 4 mil pelo documento, sem precisar passar por testes

A Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) deflagrou a Operação Mão Dupla na manhã desta quarta (5) no Detran. O caso de fraudes na obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Os crimes investigados são corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos no sistema Detrannet e organização criminosa, para venda ilícita de carteiras.
 
 
A operação Mão Dupla, alusiva aos dois sentidos de uma via, cumpre 60 ordens judiciais, sendo 25 mandados de prisão preventiva e 35 buscas e apreensões em Cuiabá, Várzea Grande, São Félix do Araguaia, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Tangará da Serra, Juína e Rondonópolis. Os mandados foram expedidos pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Primeiras informações dão conta que a Auto escola Estrela, em São Félix, foi vasculhada. A empresa é de Luciana Zuliano e Jorge Aparecido.

Máfia
Servidores do Detran, instrutores e donos de autoescola montaram um “verdadeiro balcão de negócios” dentro do órgão para o comércio de CNH’s, informa a Polícia Civil.

As investigações do inquérito policial 210/2017 iniciaram com informações repassadas pela Coordenadoria de Fiscalização de Credenciados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), e denúncias que chegaram à Especializada, sobre a venda ilícita de CNH.

A organização criminosa operava no agenciamento de candidatos que não detém capacidade técnica, para serem aprovados nos exames práticos e teóricos de direção veicular. Eles eram cooptados a fazer o pagamento da CNH, sem necessidade de realizar os testes, apenas assinavam as listas de presença e os laudos de provas. Após iam embora sem realizá-los.

Durante os trabalhos investigativos foram juntadas aos autos 21 confissões de candidatos que confirmaram o pagamento de valores que variavam de R$ 1 mil a R$ 4 mil, para serem aprovados sem a necessidade de realizar as provas do Detran.

Os valores, que podiam variar de acordo com a condição financeira do candidato, eram pagos aos representantes das autoescolas, que por sua vez repassavam aos servidores da banca examinadora do Detran.

Segundo a apuração, os examinadores usavam proprietários ou instrutores de centros de formação de condutores (autoescolas) como intermediários, os quais ofertavam os serviços para os clientes, fazendo a arrecadação do dinheiro, e, em alguns casos, repassando a parcela do examinador, “agindo de forma organizada e estruturada para o cometimento das fraudes apuradas, desrespeitando as regras e os procedimentos necessários para a obtenção da CNH.

Com base nas confissões e outros elementos de prova, a apuração confirmou que pelo menos 30 candidatos foram beneficiados com as fraudes. Com a operação, a Polícia Civil espera chegar a um número maior de beneficiados.

Segundo o delegado Sylvio do Vale Ferreira Junior, que preside e coordena a operação, foi revelado a existência de corrupção sistêmica, praticada por servidores do Detran, refletindo na segurança das vias terrestres com proporções no território estadual e nacional.
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