Entrevistas

Aqui tinha muito fantasma, mas espantei, diz coveiro que se tornou prefeito

26/10/17 às 08:48 / Atualizada: 26/10/17 às 08:54

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Aqui tinha muito fantasma, mas espantei, diz coveiro que se tornou prefeito
O atual prefeito de Santo Afonso (cidade de pouco mais de 2 mil habitantes, distante cerca de 260 km de Cuiabá), Joabe de Almeida (PSDB) é um político atípico. Afeito ao trabalho, já foi garimpeiro, coveiro e gari na cidade hoje comandada por ele. Iniciou sua carreira política há 13 anos, quando elegeu-se pela primeira vez vereador. Tem 47 anos, é evangélico da igreja Assembleia de Deus, casado, pai de dois filhos (um menino e uma menina, do primeiro casamento). Foi eleito com um total de 1.088 votos, em sua vasta maioria obtidos graças à campanha feita em cima de uma velha bicicleta sem marchas.

Sobre a atual onda de impaciência com a fé por ele professada (o neopentecostalismo) em mídias sociais, especialmente pelo que vem fazendo a bancada evangélica no Congresso, ele não se abala e afirma que é bom que gente como Eduardo Cunha (PMDB), Aguinaldo Ribeiro e José Olímpio (ambos PP) seja exposta, pois seria uma espécie de “sacudir a figueira” (alusão a um episódio do Velho Testamento, numa das crônicas sobre o patriarca Moisés, dentro do Pentateuco) e, portanto, parte do plano de Deus.

É mais fácil administrar o cemitério ou a prefeitura?

(Risos) O cemitério é mais tranquilo, né? Porque no cemitério nós não mexemos com recursos, é só cavar o buraco, pegar as vias de sepultamento e entregar no lugar devido, tanto o papel quanto o morto.

Após conhecer a vida pública, algum dia o senhor se arrependeu de ter virado político?
Não. Nunca me arrependi, gosto muito da política.

Já viu algum coisa sobrenatural, fantasma ou aparição, no cemitério ou na prefeitura?
Não. Nunca vi fantasma nem nada sobrenatural, mortos não fazem mal a ninguém, né?

Em qual dos dois lugares havia mais fantasmas: entre lápides ou gabinetes?
(Risos) Aqui na prefeitura tinha muito fantasma, mas eu espantei todos daqui.

O senhor já foi garimpeiro, coveiro, gari, vereador e prefeito. Qual ocupação é melhor?
Eu vejo que todos os trabalhos são dignos, então não vejo imposição de alguma como sendo uma coisa melhor que outra, mas na posição social que estou hoje, entendo que é considerada pelas pessoas como mais elevada. Mas todo serviço para mim é digno, se for preciso voltar ao garimpo ou a limpar as ruas - como prefeito, inclusive, já fiz isso, em mutirão pra ajudar na limpeza da cidade -, faço naturalmente, de cabeça erguida. E se for preciso ser coveiro, serei coveiro novamente, tanto que depois de eleito já abri várias covas em Santo Afonso, porque vejo que todo serviço é digno.

Em quem o senhor votaria para presidente?
Hoje não há um nome definido, mas se houvesse opção, João Dória (PSDB), caso ele se candidate.

Sendo social-democrata, o senhor não vê, por exemplo, Ciro Gomes como boa opção?
Ciro não, nem muito menos (Jair) Bolsonaro. Não voto em nenhum dos dois.

Como está, para o senhor, a administração Pedro Taques nos dias atuais?
Hoje, eu vejo o Pedro Taques fazendo milagre no Estado de Mato Grosso. Um homem milagroso e muito capaz, porque para administrar um Estado como Mato Grosso, com o potencial que é, mas com a crise financeira que o Brasil está passando? O que ele está fazendo é milagre.

Acha que ele tem alguma chance de reeleição?
Eu creio que sim. E creio pela honestidade que ele tem e pelo caráter dele, porque os que estão vindo aí não tem a moral que ele tem, não.

O senhor é evangélico, mas políticos denunciados por corrupção no Supremo Tribunal Federal, por causa da Lava Jato, como Eduardo Cunha (PMDB), Aguinaldo Ribeiro (PP) e José Olímpio (PP), também são. Eles não têm medo que Deus os puna por corrupção?
Com certeza vai punir. Isso é bíblico. Quem é leitor da Bíblia sabe perfeitamente disso. Eu vejo que falta o amor ao dinheiro público, ao respeito com a sociedade brasileira; e acho que da mesma forma eles pensam que o povo não vê, mesmo Deus sabendo. Mas as penalidades divinas vão vir nas próximas eleições, disso você pode ter certeza. O povo brasileiro já percebeu, pois está na mídia toda hora para todos verem.

Até um padre católico, José Linhares (PP), depois de cinco mandatos consecutivos, está nessa lista do STF. Como fazer para retomar a credibilidade dos políticos, mesmo dos que falam em nome de Deus?
Tem pessoas que estão usando o nome de Deus para esconder-se das suas façanhas corruptas no país, mas só que não adianta mais, porque Deus já colocou à tona, sacudiu a figueira no Congresso Nacional, e todas as figueiras podres irão cair por terra, só ficarão as firmes, as pautadas com a devida responsabilidade de um parlamentar, e isso tanto no Poder Executivo quanto no Legislativo.

É tudo parte do plano de Deus, então?
Exatamente. E é um plano maravilhoso, como todos Dele.
 
 
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